RECICLAGEM DO P L Á S T I C O | |
A etapa inicial e mais importante para a reciclagem é a triagem, que consiste na separação dos plásticos do resíduo recebido e na eliminação de contaminantes. Os ferrosos são eliminados através de ação magnética ou eletrostática; os não-ferrosos, pelo uso de ar para flotar materiais leves como o papel, e hidrociclone ou tanque de flotação, para separar as resinas por diferença de densidade.
Esta separação pode ser efetuada no local de reciclagem, no próprio ponto de geração (denominada então "coleta seletiva") ou em usinas operadas para esta finalidade, conhecidas como usinas de triagem.
Os resíduos podem ser provenientes de um processamento industrial, de recipientes de lixo que aguardam a coleta nas calçadas, de depósitos de lixo ou, ainda, de locais de disposição final como lixões, através dos "catadores", que constituem a reciclagem informal, ou até mesmo de depósitos de intermediários, conhecidos como "sucateiros", que arregimentam catadores ou arrematam o material plástico em leilões e outras fontes.
A distinção entre estes pontos diversos de triagem reside na qualidade e apresentação do resíduo a ser reciclado, além do volume e freqüência do fornecimento. Desta forma, a origem do fornecimento torna-se um parâmetro importante de avaliação da matéria-prima para o reciclador.
A Figura 3-1 apresenta a seqüência de atividades realizadas desde a coleta do material em domicílios, de responsabilidade pública, até a reciclagem dos resíduos e sua transformação em novos produtos de consumo.
Existem várias formas de lidar com os resíduos. A primeira delas, amplamente utilizada, consiste na recuperação pela própria indústria que os gera, através de moagem e retorno ao processo de produção juntamente com a matéria-prima virgem.

A segunda forma consiste na recuperação a partir do lixo urbano, que contém o plástico mais contaminado e que exige, portanto, os processos mais dispendiosos de coleta e separação por "famílias ou grupos" (PVC, PE, PP, PS, PET).
A separação por "grupos" pode ser feita visualmente ou realizada por diferença de densidade entre os polímeros, como visto adiante.
A expectativa da sociedade no sentido de que haja maior reciclagem esbarra em dificuldades de ordem prática, como a coleta e o transporte destes resíduos e sua separação na usina de triagem, bem como na dificuldade de geração de materiais homogêneos em volumes significativos. A diversidade das fontes dificulta a triagem dos resíduos em frações homogêneas.
Em comparação, portanto, a outras fontes de captação de resíduos, o uso do resíduo sólido urbano proveniente do lixão é o que apresenta maior dificuldade, pois o material necessita ser separado e classificado por "grupos" de plásticos , exigindo mais equipamentos e, portanto, maior espaço, mais energia e gastos com água no processo de lavagem.
Esta água necessita ainda tratamento antes do descarte.
O mais recomendável é a separação prévia dos resíduos sólidos urbanos em dois tipos: resíduo seco (papéis, plásticos, metais, vidros, etc.) e resíduo úmido (restos de alimentos).
Outra opção consiste nos PEV (Postos de Entrega Voluntária) onde o consumidor final espontaneamente descarta os resíduos secos.
Cada pessoa que compra um produto engarrafado em PET, como refrigerante, água, óleo de cozinha, sucos e bebidas em geral, pode e deve colaborar para que a reciclagem seja o destino de todas essas embalagens.
A reciclagem de plástico consiste no processo de reciclagem artefatos fabricados a partir de resinas (polímeros), geralmente sintéticas e derivadas do petróleo.
Redução do volume de lixo nos aterros sanitários e melhoria nos processos de decomposição de matérias orgânicas nos mesmos.
O PET acaba por prejudicar a decomposição pois impermeabiliza certas camadas de lixo, não deixando circularem gases e líquidos.
Embalagens plásticas depositadas em aterro sanitário.
Economia de petróleo pois o plástico é um derivado.
Economia de energia na produção de novo plástico.
Geração de renda e empregos.
Redução dos preços para produtos que têm como base materiais reciclados.
No caso do PET de 2 litros, a relação entre o peso da garrafa (cerca de 54g) e o conteúdo é uma das mais favoráveis entre os descartáveis. Por esse motivo torna-se rentável sua reciclagem.
O material não pode ser transformado em adubo. Plástico e derivados não podem ser usados como adubo, pois não há bactéria na natureza capaz de degradar rapidamente o plástico.
É altamente combustível, com valor de cerca de 20 Megajoules/quilo , e libera gases residuais como monóxido e dióxido de carbono, acetaldeído, benzoato de vinila e ácido benzóico. Esses gases podem ser usados na indústria química.
É muito difícil a sua degradação em aterros sanitários.
Separe para reciclagem, retirando antes o excesso de sujeira:
reciclável :
sacos, CDs, disquetes, embalagens de produtos de limpeza, PET (como garrafas de refrigerante), canos e tubos, plásticos em geral
- Garrafas, garrafões e vasilhames de:
- água
- sucos e refrigerantes
- vinagre
- detergentes e produtos de higiene
- óleos alimentares
- Sacos de plástico
não reciclável :
plásticos termofixos (usados na indústria eletro-eletrônica e na produção de alguns computadores, telefones e eletrodomésticos), embalagens plásticas metalizadas (como as de salgadinhos), isopor
Reciclagem terciária
É a conversão de resíduos plásticos em produtos químicos e combustíveis, por processos termoquímicos (pirólise,quimólise, conversão catálica). Por esses processos, os materiais plásticos são convertidos em matérias-primas que podem originar novamente as resinas virgens ou outras substâncias interessantes para a indústria, como gases e óleos combustíveis.
Separação
Os diferentes tipos de plásticos são separados antes de serem reciclados. Esse processo é feito através das densidades destes.
Polipropileno 0,90 – 0,915
Polietileno de Baixa Densidade 0,910 - 0,930
Polietileno de Alta Densidade 0,940 - 0,960
Nylon 1,13 – 1,15
Acrílico 1,17 – 1,20
Poli (cloreto de vinila) 1,220 - 1,300
Poli (tereflalato de etileno) 1,220 - 1,400
Os plásticos são divididos em duas grandes categorias: termofixos e termoplásticos:
Os termofixos representam aproximadamente 20% do total de plásticos consumidos no Brasil e são aqueles que, após conformados por um dos processos usuais de transformação, não podem ser reprocessados por não "amolecerem", ou seja, não podem ser fundidos para uma nova moldagem.
Um exemplo clássico desta categoria é a "baquelite", utilizada em cabos de panela.
Podem ser citadas ainda outras resinas termofixas de uso comum, como alguns poliuretanos (PU) e copolímeros de etileno e acetato de vinila (EVA), que são utilizados em solas para calçados; resinas fenólicas utilizadas em revestimento de móveis; poliésteres utilizados na fabricação de telhas reforçadas com fibra de vidro, entre outros.
Estas resinas, apesar de não serem mais moldáveis, podem ser utilizadas, após moagem, para outras aplicações tais como carga em sua própria composição ou na de outros produtos, e até mesmo como condicionadores de asfalto.
Os termoplásticos são os mais utilizados, podendo ser reprocessados várias vezes, pelo mesmo ou por outros processos de transformação. Quando submetidos a uma temperatura adequada, estes plásticos amolecem, permitindo uma nova conformação. Alguns exemplos são o policloreto de vinila, polietileno, polipropileno, poliestireno e outros.
Antes de qualquer análise química ou física, as diversas resinas podem ser facilmente reconhecidas através de um código utilizado em todo o mundo. O mesmo foi criado com o intuito de possibilitar a identificação imediata de uma resina reciclável, quando já conformada por processo anterior.
Consistindo em sinais de representação, este código traz um número convencionado para cada polímero reciclável e/ou o nome do polímero utilizado, ou de preponderância, no caso de uma mistura de polímeros.
Estes sinais são impressos no rótulo do produto ou estampados na própria peça.
No Brasil, o código de identificação foi alocado pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, na norma NBR 13230- "Simbologias Indicadas na Reciclabilidade e Identificação de Plásticos" (em revisão), de acordo com o sistema apresentado na Figura seguinte.
Nessa figura, são também indicados alguns dos usos mais comuns de cada resina.
Símbolos que indicam a reciclabilidade e identificam o polímero que constitui o produto
Os sistemas de símbolos foram desenvolvidos para auxiliar na identificação e separação manual dos plásticos, já que não existe, até o momento, nenhum sistema automático de separação com essa finalidade.
Se, eventualmente, um destes símbolos não estiver presente no artefato a ser reciclado, há vários outros métodos simples disponíveis para a sua identificação.
As embalagens Pet são 100% recicláveis e a sua composição química não libera nenhum produto tóxico.

flickr - hiromy
Você vai ao mercado, à loja de conveniência, à mercearia ou compra de um vendedor ambulante. O fato é que você adquiriu um produto que vem numa embalagem. Então observe algumas dicas:
Seja um consumidor consciente. Só compre aquilo que você realmente precisa.
Além disso, dê preferência a produtos que tenham embalagens recicláveis.
As garrafas de PET são fáceis de identificar: elas têm o triângulo com o número 1 dentro dele ( ), quase sempre na parte de baixo das garrafas o que representa embalagem reciclável.
Bebeu tudo? Então é a hora de tratar daquilo que sobra nas suas mãos: a embalagem.
Não basta jogá-la no lixo, simplesmente. Para que seja reciclada, observe o seguinte:
Ao terminar de consumir o conteúdo, retire toda a sobra que você conseguir. Não é necessário lavar a embalagem!
Isso acontecerá durante o processo de reciclagem. Por isso, não há motivo para gastar água.
Se tiver um tempinho, retire o rótulo. Esse procedimento vai acontecer durante o processo de reciclagem, mas essa ação ajuda os recicladores.
Depois amasse e tampe bem a embalagem. Isso reduz muito o espaço que a garrafa ocupa e facilita o trabalho de quem coleta (veja o terceiro passo), já que o transporte e a estocagem ficam muito mais fáceis.
Deixe a garrafa bem tampada. Isso evita que ela recupere seu volume
Agora você tem em mãos uma embalagem pronta para ser descartada. Então vamos fazer da melhor forma, isto é, garantindo que a reciclagem aconteça.
Veja como:
A primeira atitude é a mais importante. Separe o lixo de sua casa em dois sacos diferentes: um para os materiais recicláveis (sólidos) e outro para os restos de comida (orgânicos).
Não se preocupe em separar materiais recicláveis por tipo. Profissionais especializados realizarão a tarefa. Basta que os produtos estejam juntos e que sejam colocados para coleta no dia e no horário corretos.
As embalagens de PET não precisam ser lavadas e devem ser colocadas do modo já descrito. Caso haja embalagens sem tampa, retire os restos de produto para evitar que as demais embalagens fiquem sujas. Não se preocupe em lavar com água: basta retirar o excesso.
Apenas algumas cidades são privilegiadas e contam com sistemas de coleta seletiva. Se você reside em uma delas, basta observar os dias da passagem do caminhão da prefeitura e colocar o material reciclável, todo junto, para que seja levado.
Algumas prefeituras disponibilizam a coleta seletiva através de Pontos de Entrega. São grandes recipientes, às vezes com divisões para cada material.
Nesse caso, você pode levar seus resíduos recicláveis até lá. O material será recolhido periodicamente,
Edifícios comerciais ou residenciais lidam com volumes grandes de resíduos, o que exige cuidado maior.
Oriente todos os condôminos sobre os procedimentos para descarte de cada embalagem. Sugira a seqüência de passos acima descritos para cada um.
Quando os volumes acumulados são grandes, caso de condomínios em geral, o procedimento de amassar as garrafas torna-se especialmente importante.
Uma vez separado, o PVC não apresenta, por si só, nenhum problema para ser reprocessado.
O resíduo de PVC, sem a inclusão de outras resinas, pode sofrer a incorporação de aditivos como plastificantes, estabilizantes e outros.
A reciclagem do PVC separado, como ilustrado no fluxograma esquemático, pode ser subdividida nas seguintes etapas:
- Triagem manual;
- Moagem, lavagem e secagem;
- Mistura/aglutinação;
- Extrusão e granulação;
- Transformação em um produto acabado por processos convencionais de conformação.
Atualmente, no Brasil, a reciclagem mecânica do PVC separado é realizada tanto para o PVC flexível quanto para o rígido.
De forma geral, estes "compostos" são divididos em três grandes grupos, conforme a sua aplicação, quais sejam "rígido", "flexível" e "plastisol".
Na reciclagem, no entanto, adota-se a divisão em apenas dois grupos, "rígido" e "flexível", que são diferenciados pelos recicladores através do ensaio de dureza Shore A, na forma abaixo:
-
Resíduo de PVC flexível: dureza abaixo de 90 Shore A;
-
Resíduo de PVC rígido: dureza acima de 90 Shore A.
Uma das dificuldades do processamento do resíduo não misturado de PVC reside nas perdas por degradação do material, que podem ser evitadas através de uma nova incorporação de aditivos. No entanto, como estes aditivos aumentam o custo final do produto, tornou-se prática comum a adição de pequena parcela de um outro resíduo, contendo o aditivo necessário.
A matéria-prima utilizada para esta reciclagem é o resíduo ou sucata de PVC flexível (dureza abaixo de 90 Shore A). É freqüente a adição de plastificantes, como o DOP – dioctil-ftalato, que tem como objetivo promover um ajuste na dureza do produto a ser obtido). O fluxograma do processo de reciclagem mecânica de PVC flexível assemelha-se ao apresentado na Figura 5-1 anterior, em que a moagem é o primeiro passo e consiste em reduzir o tamanho do resíduo de PVC.
A lavagem faz-se necessária, principalmente se o resíduo for urbano e estiver sujo ou contaminado. Havendo possibilidade, o ideal é evitar esse procedimento. A etapa de secagem faz-se também necessária, a fim de reduzir a umidade do PVC, que deve ser processado com teor menor que 1%, para que possa seguir o seu fluxo no processo de extrusão.
O processamento faz-se num aglutinador, que é um tipo de misturador com hélices paralelas, onde o aquecimento é gerado pelo atrito entre estas hélices e o PVC. Nesse processo, o material se aglomera formando partículas maiores, aumentando sua densidade aparente (relação massa por volume). É comum os recicladores aproveitarem esse equipamento para completar a secagem do PVC.
A extrusão do PVC exige máquina robusta, de boa qualidade mecânica e, no mínimo, com tratamento de nitretação nas partes internas para evitar corrosão. Mesmo com os tratamentos exigidos para a rosca da extrusora, seu desgaste é inevitável, devendo a mesma ser "recalibrada" ou sofrer recobertura pelo menos duas vezes ao ano, dependendo da quantidade de material extrudado. Se este procedimento preventivo não for seguido, perde-se em produtividade, em qualidade do produto, eleva-se o consumo de energia e corre-se o risco de danificar o equipamento, gerando custos extras de produção.
As extrusoras podem ter corte do material no cabeçote (saída do equipamento) ou produzir o chamado "espaguete" (através de um molde perfurado), a ser "picotado" posteriormente no granulador. O uso de um trocador de telas automático é importante para o processo, mas não é imprescindível. Geralmente, trabalha-se com zonas de aquecimento variando entre 150 e 220°C.
O material resultante da extrusão, o "espaguete", precisa, então, ser resfriado. Esta etapa é realizada nas chamadas calhas ou banheiras de resfriamento, que utilizam água fria (ou à temperatura ambiente). Após o resfriamento, o material é "picotado" em grânulos de tamanho padronizado (3 mm), em um granulador (picotador), que trabalha com facas de corte muito sensíveis. Esta etapa determina o fim do processo e o material é, então, embalado e estocado. O PVC reciclado é embalado em sacos plásticos de polietileno, ou de papel, de 25 kg. O material processado desta forma é vendido como PVC flexível reciclado.
Dependendo de suas características, o material reciclado pode ser conformado por injeção ou extrusão, obtendo-se, como produtos finais, solados em geral, manoplas, mangueiras, e outros.
Os resíduos de PVC rígido, quando têm origem na indústria são, geralmente, por ela própria reprocessados. Quando sua procedência é a coleta seletiva, lixões e outras fontes, encontram-se, muitas vezes, contaminados com outras resinas.
Um dos piores problemas de contaminação no processo de reciclagem, é o apresentado pelas resinas PVC e PET. Ambas possuem densidade em torno de 1,3 - 1,35 g/cm3 e não são, portanto, separáveis pelo método de flotação convencional. Se o PET estiver contaminado com PVC, este se degradará durante o processamento do PET, devido à elevada temperatura exigida. Se o PET, entretanto, estiver contaminando o PVC, deverá ser eliminado do processo, por filtração, pois não funde à temperatura de processamento deste.
A reciclagem do PVC rígido é bastante simples quando o resíduo está "limpo", permitindo a supressão das etapas de lavagem e secagem. Usualmente, o resíduo é moído, com recuperação do pó gerado, que retorna ao processo junto com o material moído. Este material, de acordo com a sua característica e/ou de acordo com o que se deseja produzir, é aditivado em uma moega e, usualmente, enviado diretamente para uma extrusora ou injetora.
Apesar da conhecida sensibilidade térmica do PVC rígido, ele pode ser reprocessado. Em alguns casos, é aconselhável a adição de estabilizantes ou lubrificantes à formulação a ser reciclada. O resíduo é moído, lavado e recuperado em um processo semelhante ao do PVC flexível.
O PVC rígido reciclado tem sido utilizado, entre outras aplicações, na conformação de conduítes elétricos e tubos para baixa pressão. A produção de tubos é sensível a contaminações com papel, poliestireno e polietileno, que alteram as propriedades físicas das peças produzidas.